Uma garota, um caderno.

Something in the way you are.

Posted on: 17/12/2012

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Começou há algum tempo. Não sei exatamente quando ou como, mas aos poucos me pareceu que algo foi se fortificando dentro de mim. Começou com um tijolinho e hoje parece que está mais forte. Não sei exatamente o que significa, mas sei o que me fez dar conta disto hoje.

Não cheguei a contar, mas voltei a trabalhar! É temporário, em um mercado, mas pelo menos dá para “segurar as pontas”. Fato é, que hoje atendi uma moça muito simpatica,não me lembro exatamente como chegamos ao assunto, mas ela mencionou algo como “minha irmã é assim como você,forte, sabe? E ela nunca ficou mal por isso. Nunca deixou de comer só porque as pessoas falavam que ela era gorda”. Sei que respondi apenas algo como “e ela está certa! É melhor do que passar vontade, não?”. Não sei se ela achou que foi ironico, mas concordou sorrindo e me senti tão leve depois daquela conversa.

E essa é a razão de eu ter me dado conta de que algo mudou, porque antes disso, eu nunca tinha falado do meu peso com um desconhecido completo sem ficar sem graça. Na verdade, sempre evitei tocar no assunto, sempre me senti mal ao ouvir uma garota magra reclamando de seu peso e sempre acrescentava algo como “não sei do que você está reclamando”. Só que acho que nunca fui honesta com esse comentário. Acho que nunca, antes de hoje, consegui me assumir de vez. De não ter vergonha do meu corpo. De mim mesma.

E me sinto tão leve ao conseguir olhar no espelho e pensar “uau” sem sentir que está sendo falso e não tenho mais vergonha de comprar roupas em lojas plus size, porque sim, eu compro há algum tempo e morria de medo de assumir isso, porque sempre tive medo do que as pessoas pensariam se me vissem saindo de uma loja dessas. Mas, quer saber? FODA-SE!

E esse foda-se não é por rebeldia! É a palavra mais honesta que posso usar para meus próprios preconceitos. FODA-SE se você me acha gorda. FODA-SE se você não gosta que eu compre roupas em lojas plus size. FODA-SE. FODA-SE. FODA-SE.

Porque hoje eu sei que esse tijolo ganhou mais alguns e está se tornando em um pilar. Está se tornando mais forte a cada dia que deixo um preconceito de lado. E eu sei que ninguém pode tirá-lo de mim.

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Luana Bastos, paulistana de 19 anos que ama escrever. Viciada em Internet, livros e séries, sempre dá um jeito de assistir a mais um episódio de Doctor Who, mesmo que já tenha assistido tantas vezes que já decorou as falas.

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Luana Bastos

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