Uma garota, um caderno.

Posts Tagged ‘meu

tumblr_mgep2ogTfu1r9x5zio1_1280_large

É tão estranho perceber o quanto o tempo passou. Hoje me dei conta de que vou fazer 20 anos.

É muita coisa e ao mesmo tempo, não é nada.

É como uma longa caminhada que ainda está no começo e eu tenho tanta coisa para aprender. Tanta coisa para viver, para acontecer.

Mas, ao mesmo tempo me sinto tão velha. Tão adulta. E eu nem sei se o que estou fazendo é a coisa certa ou se estou apenas agindo como uma garota que quer tudo na hora.  É como se uma explosão acontecesse dentro de mim, mas ao mesmo tempo tudo estivesse calmo e tranquilo.

Devo estar enlouquecendo.

Quando era criança, não via a hora de chegar esse momento. Essa hora de ser adulta, de ser autossuficiente e independente. E agora, me dou conta de que todas aquelas decisões que queria tomar ja estão paradas na minha frente, apenas esperando por uma resposta.

Ir ou ficar? Querer ou não querer? Se fechar ou sair um pouquinho da concha?

É, estou ficando velha.

Anúncios

A musica estava alta demais, meus pés doíam, minha cabeça parecia explodir.

Sempre fui de ficar em casa, nunca gostei de festa. Como escutei há algum tempo atras, prefiro ficar em casa fazendo algo por mim do que estar em um lugar cheio e barulhento, fazendo as pessoas pensarem que sou algo que não sou.

Confesso que sou meio antiquada para essas coisas.

Sentei-me a seu lado. Você estava sóbrio e me olhou com olhos criticos.

“Você está mudando”, você disse.

“É?”, perguntei sem prestar atenção.

“Huhum. Parece que você está deixando de ser aquela menina nunca usa salto alto para aquela que usa salto o tempo todo”.

“Eu não sei andar de salto”.

“Por enquanto. Acho que preciso de amigos novos”.

Me calei. Eu não entendo porque você sempre tem que ser assim. Parece que quanto estou tentado voar mais alto, você puxa minhas asas, porque não aprova o que eu faço. Não lhe devo aprovação e isso me cansa. Toda vez que tento me afastar você volta, e eu tento esquecer tudo o que disse.

Suas palavras machucam e acho melhor não continuarmos.

Eu vivo tentando não me prender ao que poderia ter sido. Não é prudente ficar pensando no que quase aconteceu.

Só que é inevitável quando te encontro.

Porque eu te vejo junto dela e acabo pensando que poderia ter sido eu. Será que quase foi eu?

Eu me pergunto se em algum momento nós tivemos algo verdadeiro, porque eu me lembro de como você agia. De como você me tratava quando estávamos juntos. Você sempre me fez rir. Você sempre se preocupou comigo, e isso é algo que nunca vou me esquecer. Lembro de quando você veio me visitar no Natal e de como nosso Ano-Novo foi divertido. Lembro de como combinavamos que eu teria meu primeiro porre com você e de como minha mãe voltou de viagem no dia e estragou todos os nossos planos.

Lembra de quando eu finalmente bebi uisque pela primeira vez e você estava comigo? Era seu aniversário e eu tinha lhe comprado um presente. Acho que estava completamente cega. Lhe comprei uma bandana de caveiras e a carregava comigo no dia em que fomos ao parque com mais vinte pessoas.

Eu ia lhe dá-la, ia mesmo. Ai, nós nos perdemos. Eu fiquei com meus amigos e você com seus amigos que eu não conhecia. Passei a tarde toda sem você e foi uma tarde realmente inesquecível. Então quando finalmente nos encontramos você estava com ela e acho que quebrei.

Eu fiquei meses sem olhar para sua cara, esqueci seu numero, tentei esquecer seu nome. Tentava não ouvir noticias suas e quando finalmente nos encontramos de novo, você ja estava com outra. É, que bela idiota eu sou.

Mas, eu ja estava cansada e não queria mais ficar naquela brincadeira. Não queria mais me machucar.

Hoje eu tento não tocar mais no assunto, você está feliz e é isso que importa.

Agora, enquanto vejo você me preparar uma bebida, preocupado que minha mãe não perceba que eu tenha bebido, eu me dou conta: nós sempre fomos amigos. Nada além disso.

Dia desses eu me perdi. Em um lugar obscuro e vazio. Poucas vezes senti tanto medo assim. Os olhares eram estranhos e eu ouvia comentários. Qualquer movimento me fazia pular e ter vontade de sair correndo.

Eu procurava por algum onibus que pudesse me levar de volta, mas não havia nada. Meu coração parecia querer pular de panico e meus pés estavam cansados demais para correr. Minha cabeça doia e o tempo estava quente demais para ajudar.

Nessas horas parece que um filme passa em nossas cabeças. E se eu não voltar mais? Como a minha mãe vai se sentir? Como vão ficar as coisas? E se eu nunca mais assistir Doctor Who?!

Senti que ia quebrar, senti que se não saísse dali o mais rapido possivel acabaria enlouquecendo.

Acho que nunca andei tanto em minha vida e nunca parecia que fosse chegar, que fosse encontrar alguma coisa conhecida. Minha sorte foi encontrar uma mulher que também estava perdida. Juntas, eu e ela caminhamos até cada uma encontrar seu caminho.

Devo muito a essa mulher por isso e nem ao menos sei seu nome.

Isso aconteceu de verdade, e acho que nunca mais volto a Barra Funda.

Imagem

Estou me sentindo tão cansada, sem rumo, sem vontade. Nada parece sair do jeito que quero. Eu não vou ao show que sempre sonhei em ir, não tenho dinheiro, não sei por onde andam meus amigos. Quero dizer, isso se eles ainda são meus amigos.

As vezes, eu quero me afastar de tudo. Ir para algum outro lugar e ficar sozinha. Eu sempre gostei de ficar sozinha. Suponho que essa solidão que me bateu foi por minha própria culpa. Eu afastei a todos e agora, não tenho para onde ir.

O mundo irreal que criei parece desmoronar e cada vez mais eu sinto a realidade me puxando pelos pés. Então isso é crescer? Estou perdendo meus heróis, meus amigos e meus amores imaginários. Não conheço meus “amigos”,não tenho ninguem para conversar.

Era tão bom quando eu podia me desligar de tudo isso e imaginar que era uma roqueira famosa, ou uma fashionista reconhecida, ou até mesmo uma jornalista idealista e brilhante. Talvez, eu tenha tudo isso dentro de mim e não tenha encontrado ainda. O fato é que eu nunca me senti tão sozinha, mesmo quando estava. Não quero crescer, se crescer significa ser desse jeito.

Fecho os olhos e sinto meu corpo pesar, poderia ficar o dia inteiro assim. Poderia dormir o dia e a noite todas. Poderia, poderia, poderia. Mas, nunca posso. Acho que no fundo, aquela vozinha que fica em minha cabeça tem razão, eu sempre quero e sempre perco.

E talvez seja hora de procurar outro lugar, outra vida e outro alguém.

A primeira coisa que vocês tem que saber sobre mim é que sou gordinha e ja passei muito problema por causa disso. Nasci assim e não tenho nenhum tipo de doença que me faça engordar, (não que eu saiba, é claro!) e desde criança eu sempre tive que aturar aquelas brincadeirinhas super “bem-humoradas” e “gentis” sobre meu peso.

É claro que na teoria as coisas estão bem mais avançadas e o preconceito não é tão aparente assim, mas ainda rola. E só quem passa por ele sabe que acontece.

Nas ruas, me lojas, na escola e em todos os lugares.

Apesar de dizer que não, as lojas ainda tem um numero muito pequeno de roupas com tamanhos especiais, que são caras e nem sempre tão boas assim. Nós também conseguimos encontrar algumas raras lojas que vendem apenas roupas para nossos tamanhos, mas os preços vão lá nas alturas.

Ou seja, se você é gordinha e ama moda, você tem que garimpar muito para conseguir alguma roupa legal e com preço bom.

Então, fica a dica para os lojistas e para a sociedade: vamos variar um pouco mais e largar esse preconceito bobo por causa de peso. Nós temos tantos problemas para se importar e discriminar alguém por qualquer motivo não leva ninguém a lugar algum!


Luana Bastos, paulistana de 19 anos que ama escrever. Viciada em Internet, livros e séries, sempre dá um jeito de assistir a mais um episódio de Doctor Who, mesmo que já tenha assistido tantas vezes que já decorou as falas.

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

Luana Bastos

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.