Uma garota, um caderno.

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Hoje voltei a um lugar que não visitava há muitos anos, mais precisamente desde que tinha nove anos. Meu pai ainda era vivo e nós iamos a festas por lá. Meu irmão pequeno chorava quando algum estranho falava com ele e eu ia me isolar no parquinho enquanto os adultos enchiam a cara e as crianças ficavam correndo. Nunca fui uma boa corredora. Não gosto de correr.

Essa é a primeira vez que posto imagens minhas, algumas com qualidade incrivel e outras nem tanto. Meu irmão também deu uma de fotografo e ajudou, mesmo que algumas tenham saído tremidas e em outras seu dedo tenha aparecido perto da lente.

Mas, whatever! Essa é a primeira vez e eu sei que tenho muito a aprender!

A entrada.

A entrada.

O teto chuvoso da cafeteria. Mais bonito do que eu me lembrava.

O teto chuvoso da cafeteria. Mais bonito do que eu me lembrava.

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Look do dia frustrado

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Não deu para tirar foto no balanço porque estava molhado. =/

Não deu para tirar foto no balanço porque estava molhado. =/

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Meu irmão fugindo da câmera.

Meu irmão fugindo da câmera.

Indo embora...

Indo embora…

O cinza dos prédios do centro de São Paulo.

O cinza dos prédios do centro de São Paulo.

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Começou há algum tempo. Não sei exatamente quando ou como, mas aos poucos me pareceu que algo foi se fortificando dentro de mim. Começou com um tijolinho e hoje parece que está mais forte. Não sei exatamente o que significa, mas sei o que me fez dar conta disto hoje.

Não cheguei a contar, mas voltei a trabalhar! É temporário, em um mercado, mas pelo menos dá para “segurar as pontas”. Fato é, que hoje atendi uma moça muito simpatica,não me lembro exatamente como chegamos ao assunto, mas ela mencionou algo como “minha irmã é assim como você,forte, sabe? E ela nunca ficou mal por isso. Nunca deixou de comer só porque as pessoas falavam que ela era gorda”. Sei que respondi apenas algo como “e ela está certa! É melhor do que passar vontade, não?”. Não sei se ela achou que foi ironico, mas concordou sorrindo e me senti tão leve depois daquela conversa.

E essa é a razão de eu ter me dado conta de que algo mudou, porque antes disso, eu nunca tinha falado do meu peso com um desconhecido completo sem ficar sem graça. Na verdade, sempre evitei tocar no assunto, sempre me senti mal ao ouvir uma garota magra reclamando de seu peso e sempre acrescentava algo como “não sei do que você está reclamando”. Só que acho que nunca fui honesta com esse comentário. Acho que nunca, antes de hoje, consegui me assumir de vez. De não ter vergonha do meu corpo. De mim mesma.

E me sinto tão leve ao conseguir olhar no espelho e pensar “uau” sem sentir que está sendo falso e não tenho mais vergonha de comprar roupas em lojas plus size, porque sim, eu compro há algum tempo e morria de medo de assumir isso, porque sempre tive medo do que as pessoas pensariam se me vissem saindo de uma loja dessas. Mas, quer saber? FODA-SE!

E esse foda-se não é por rebeldia! É a palavra mais honesta que posso usar para meus próprios preconceitos. FODA-SE se você me acha gorda. FODA-SE se você não gosta que eu compre roupas em lojas plus size. FODA-SE. FODA-SE. FODA-SE.

Porque hoje eu sei que esse tijolo ganhou mais alguns e está se tornando em um pilar. Está se tornando mais forte a cada dia que deixo um preconceito de lado. E eu sei que ninguém pode tirá-lo de mim.

 

Ja faz um tempo que ando me sentindo assim. Com o coração pesado, evitando pensar em algumas coisas.

Desde que me entendo por gente que sou assim. Não confio facil nas pessoas, gosto de ficar sozinha e não gosto de sair por ai falando da minha vida para ninguém. As vezes até para meus amigos.

Tem certas coisas que ainda me deixam tristes, algumas cicatrizes que eu evito pensar, mas que acabo cutucando sem querer.

A maioria delas são com pessoas proximas. A maioria eu nunca contei a ninguém.

Estava lendo um texto da Paula Bastos (Grandes Mulheres) sobre ser aquela amiga que fica na sombra, mais ou menos como Ron Weasley. Acho que esse é um dos motivos que o faz meu personagem preferido, acho que sei o que ele sente com relação ao Harry.

A questão é que ainda dói lembrar disso. Ainda dói saber que você me substima. Mas, será que é isso mesmo? Acho que talvez seja o fato de que sempre que tinha algo para mim, você tentava roubar. Querendo ou não, foi isso que estragou tudo.

E hoje me dou conta que estou seguindo o mesmo rumo. De novo. Acho que é porque esse é o unico tipo de amizade que conheço, é assim que eu aprendi a ser. Mas, me sinto tão pressionada. Tão incompreendida. Tão chatiada com tudo ao meu redor que foi isso que causou essa atitude de hoje.

Esse foi meu primeiro passo para a liberdade. Desativei meu Facebook. É, foi um pequeno passo, mas que tem um significado gigante para mim.

Nunca me expressei ali. Nunca pude ser eu mesma ali.

Então agora, ouvindo essa musica, tentando colocar meus pensamentos no lugar eu acho que fiz a coisa certa.

A musica estava alta em meus fones de ouvido.

Sabe aquela musica que você não escuta faz tempo e quando a ouve, sua letra faz completo sentido?

Ja era tarde, ou cedo demais dependendo do ponto de vista.

O dia amanhecia e a musica explodia em meus ouvidos. “Not now, not now baby. Don’t take this moment from me”.

Pela primeira vez em semanas consegui me acalmar, deixar o estresse, a pressão e a culpa de lado.

Vai ficar tudo bem, pensei.

As coisas vão ficar bem, é o começo de algo novo.

Pela primeira vez, esses pensamentos não foram vazios.

Olhei pela janela e vi os primeiros raios da manhã. Ja reparou que a luz do dia nos acalma?

Como sempre, Florence gritou em minha mente: “Is always darkest before the dawn”.

Respirei fundo.

Vai ficar tudo bem.

Eu vivo tentando não me prender ao que poderia ter sido. Não é prudente ficar pensando no que quase aconteceu.

Só que é inevitável quando te encontro.

Porque eu te vejo junto dela e acabo pensando que poderia ter sido eu. Será que quase foi eu?

Eu me pergunto se em algum momento nós tivemos algo verdadeiro, porque eu me lembro de como você agia. De como você me tratava quando estávamos juntos. Você sempre me fez rir. Você sempre se preocupou comigo, e isso é algo que nunca vou me esquecer. Lembro de quando você veio me visitar no Natal e de como nosso Ano-Novo foi divertido. Lembro de como combinavamos que eu teria meu primeiro porre com você e de como minha mãe voltou de viagem no dia e estragou todos os nossos planos.

Lembra de quando eu finalmente bebi uisque pela primeira vez e você estava comigo? Era seu aniversário e eu tinha lhe comprado um presente. Acho que estava completamente cega. Lhe comprei uma bandana de caveiras e a carregava comigo no dia em que fomos ao parque com mais vinte pessoas.

Eu ia lhe dá-la, ia mesmo. Ai, nós nos perdemos. Eu fiquei com meus amigos e você com seus amigos que eu não conhecia. Passei a tarde toda sem você e foi uma tarde realmente inesquecível. Então quando finalmente nos encontramos você estava com ela e acho que quebrei.

Eu fiquei meses sem olhar para sua cara, esqueci seu numero, tentei esquecer seu nome. Tentava não ouvir noticias suas e quando finalmente nos encontramos de novo, você ja estava com outra. É, que bela idiota eu sou.

Mas, eu ja estava cansada e não queria mais ficar naquela brincadeira. Não queria mais me machucar.

Hoje eu tento não tocar mais no assunto, você está feliz e é isso que importa.

Agora, enquanto vejo você me preparar uma bebida, preocupado que minha mãe não perceba que eu tenha bebido, eu me dou conta: nós sempre fomos amigos. Nada além disso.

Isso será mais um desabafo do que qualquer coisa.

A minha vida inteira eu fui criticada. Ok, todos somos. Eu sei que a vida é assim. Não vamos falar de recalque, inveja nem nada disso.

A questão é mais ou menos o quanto as palavras doem. E eu sei que vou ouvir muitas criticas durante a vida, principalmente pela profissão que escolhi.

Talvez, eu ainda não esteja pronta para isso. E eu sei.

Só que a questão é que eu não sou muito de conversar, eu sou muito fechada e há muito tempo eu só tenho ouvido “NÃO”. Um “não” bem grande, sabe? E é para quase tudo.

Certo, vamos ver os dois lados da moeda mais uma vez. Não tenho uma vida ruim. Não sou rica nem nada, mas o fato é que tenho uma família que me ama, tenho alguns amigos e um teto para morar.

Mas, sabe tem horas que cansa! É como se eu estivesse em uma vitrine, apenas esperando a proxima critica e elas vem em torrente.

Desde pequena eu sempre ouvi sobre meu peso, sobre meu cabelo, sobre meus amigos, sobre minhas roupas, sobre minhas palavras. Sobre tudo, basicamente! Sinceramente, os unicos lugares que tenho para me expressar livremente são esse blog e o Tumblr.

Estes estão sendo avanços gigantes para mim e sei que as coisas não acontecem da noite para o dia, mas finalmente estou me lançando nas coisas que realmente quero fazer e não é nada facil ouvir algumas coisas.

Enfim, sei que não estou fazendo muito sentido, mas eu só precisava de um cantinho para desabafar, só isso.

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Estou me sentindo tão cansada, sem rumo, sem vontade. Nada parece sair do jeito que quero. Eu não vou ao show que sempre sonhei em ir, não tenho dinheiro, não sei por onde andam meus amigos. Quero dizer, isso se eles ainda são meus amigos.

As vezes, eu quero me afastar de tudo. Ir para algum outro lugar e ficar sozinha. Eu sempre gostei de ficar sozinha. Suponho que essa solidão que me bateu foi por minha própria culpa. Eu afastei a todos e agora, não tenho para onde ir.

O mundo irreal que criei parece desmoronar e cada vez mais eu sinto a realidade me puxando pelos pés. Então isso é crescer? Estou perdendo meus heróis, meus amigos e meus amores imaginários. Não conheço meus “amigos”,não tenho ninguem para conversar.

Era tão bom quando eu podia me desligar de tudo isso e imaginar que era uma roqueira famosa, ou uma fashionista reconhecida, ou até mesmo uma jornalista idealista e brilhante. Talvez, eu tenha tudo isso dentro de mim e não tenha encontrado ainda. O fato é que eu nunca me senti tão sozinha, mesmo quando estava. Não quero crescer, se crescer significa ser desse jeito.

Fecho os olhos e sinto meu corpo pesar, poderia ficar o dia inteiro assim. Poderia dormir o dia e a noite todas. Poderia, poderia, poderia. Mas, nunca posso. Acho que no fundo, aquela vozinha que fica em minha cabeça tem razão, eu sempre quero e sempre perco.

E talvez seja hora de procurar outro lugar, outra vida e outro alguém.


Luana Bastos, paulistana de 19 anos que ama escrever. Viciada em Internet, livros e séries, sempre dá um jeito de assistir a mais um episódio de Doctor Who, mesmo que já tenha assistido tantas vezes que já decorou as falas.

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Luana Bastos

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