Uma garota, um caderno.

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Mais uma noite.

Parece que o tempo congelou e quanto mais eu olho no relógio ou mudo de paginas online o tempo desacelera. Não consigo assistir a um único episódio de nada. Não consigo ler. Não consigo ouvir musica. Não consigo fazer nada.

Parece que depois de avançar tanto, retrocedi mais ainda. Me sinto tão perdida. Tão sufocada.

Passei um ano todo lutando por algo e não aconteceu. E ao mesmo tempo ansiedade e medo ficam colocando coisas em minha cabeça. Ficam me fazendo sentir medo de sair. Me fazendo sentir medo de falar com as pessoas. Me fazem ter medo de viver.

Faz dias que não sei o que é dormir direito, de noite. Passo todas as noites acordada, perdida e ansiosa por algo que não aconteceu.

Preciso tanto de uma mudança, mas sei que sem paciência nada acontece. Eu sei disso.

Mas, sinto que tem uma parede na minha frente.

E tudo que eu quero é o mundo, mas não sei como alcança-lo. Não sei como fazer para sair do chão ou para me soltar do medo.

Coisas que antes funcionavam, não funcionam mais.

Talvez seja só uma fase, talvez amanhã já esteja melhor.

Eu perdi algo que tinha e não sei como recuperar.

E é mais uma daquelas noites. Daquelas em que só vou dormir as oito da manhã e acordar as cinco da tarde. Em que não vou colocar os pés na rua. Que não vou falar com ninguém.

Urgh, não sei o que fazer. Não sei mais o que dizer.

Não sei mais onde encontrar a solução.

Dia desses eu me perdi. Em um lugar obscuro e vazio. Poucas vezes senti tanto medo assim. Os olhares eram estranhos e eu ouvia comentários. Qualquer movimento me fazia pular e ter vontade de sair correndo.

Eu procurava por algum onibus que pudesse me levar de volta, mas não havia nada. Meu coração parecia querer pular de panico e meus pés estavam cansados demais para correr. Minha cabeça doia e o tempo estava quente demais para ajudar.

Nessas horas parece que um filme passa em nossas cabeças. E se eu não voltar mais? Como a minha mãe vai se sentir? Como vão ficar as coisas? E se eu nunca mais assistir Doctor Who?!

Senti que ia quebrar, senti que se não saísse dali o mais rapido possivel acabaria enlouquecendo.

Acho que nunca andei tanto em minha vida e nunca parecia que fosse chegar, que fosse encontrar alguma coisa conhecida. Minha sorte foi encontrar uma mulher que também estava perdida. Juntas, eu e ela caminhamos até cada uma encontrar seu caminho.

Devo muito a essa mulher por isso e nem ao menos sei seu nome.

Isso aconteceu de verdade, e acho que nunca mais volto a Barra Funda.

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Estou me sentindo tão cansada, sem rumo, sem vontade. Nada parece sair do jeito que quero. Eu não vou ao show que sempre sonhei em ir, não tenho dinheiro, não sei por onde andam meus amigos. Quero dizer, isso se eles ainda são meus amigos.

As vezes, eu quero me afastar de tudo. Ir para algum outro lugar e ficar sozinha. Eu sempre gostei de ficar sozinha. Suponho que essa solidão que me bateu foi por minha própria culpa. Eu afastei a todos e agora, não tenho para onde ir.

O mundo irreal que criei parece desmoronar e cada vez mais eu sinto a realidade me puxando pelos pés. Então isso é crescer? Estou perdendo meus heróis, meus amigos e meus amores imaginários. Não conheço meus “amigos”,não tenho ninguem para conversar.

Era tão bom quando eu podia me desligar de tudo isso e imaginar que era uma roqueira famosa, ou uma fashionista reconhecida, ou até mesmo uma jornalista idealista e brilhante. Talvez, eu tenha tudo isso dentro de mim e não tenha encontrado ainda. O fato é que eu nunca me senti tão sozinha, mesmo quando estava. Não quero crescer, se crescer significa ser desse jeito.

Fecho os olhos e sinto meu corpo pesar, poderia ficar o dia inteiro assim. Poderia dormir o dia e a noite todas. Poderia, poderia, poderia. Mas, nunca posso. Acho que no fundo, aquela vozinha que fica em minha cabeça tem razão, eu sempre quero e sempre perco.

E talvez seja hora de procurar outro lugar, outra vida e outro alguém.


Luana Bastos, paulistana de 19 anos que ama escrever. Viciada em Internet, livros e séries, sempre dá um jeito de assistir a mais um episódio de Doctor Who, mesmo que já tenha assistido tantas vezes que já decorou as falas.

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Luana Bastos

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